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Mais do que uma palavra de ordem, uma estratégia de proteção

Todo mês de março as mulheres “invadem” espaços que, na verdade, deveriam ocupar durante o ano todo. Isso porque em 8 de março celebra-se o Dia Internacional da Mulher, cujo objetivo é relembrar a contínua luta feminina pela igualdade de gênero e pela extinção da violência contra a mulher por meio do empoderamento de cada uma, independentemente da idade, classe social, profissão etc. Não se trata apenas de uma teoria criada pelo comércio para lucrar com presentes e homenagens, mas sim de uma causa com raízes profundas.

O Dia Internacional da Mulher é uma data sugerida por Clara Zetkin, em 1910 – uma ativista defensora dos direitos das mulheres no âmbito trabalhista e membro do Partido Comunista Alemão. O objetivo era possibilitar que o movimento operário prestasse mais atenção às mulheres trabalhadoras. A ideia foi impulsionada por diversos movimentos que aconteceram um pouco antes.

Incêndio

Foi em 1911 que um divisor de águas aconteceu. Um fato (infeliz), mas determinante, marcou definitivamente o mês de março para a celebração do Dia Internacional da Mulher. Um incêndio tomou conta de uma fábrica de roupas (Triangle Shirtwaist), nos Estados Unidos, causando a morte de centenas de pessoas, entre 130 e 150 trabalhadores. A maioria, mulheres.

Mas por que não fugiram no começo do incêndio? Porque as oficinas da época tinham as portas trancadas para impedir que as funcionárias saíssem durante as pausas dos turnos. Além disso, as condições de trabalho eram precárias, com cargas horárias extensivas, salários muito baixos e ambientes insalubres.

A tragédia ficou marcada e serviu como um alerta para outras mulheres, sobre a importância de lutar pela igualdade de gêneros. E lutar juntas! De lá para cá, as mulheres vêm dando as mãos em busca de seus direitos e como forma de proteção umas às outras. A submissão tem caído por terra e a sociedade, antes, patriarcal pode estar com seus dias contados.

No mesmo ano do incêndio foi declarado o Dia Internacional da Mulher, cujos primeiros países a celebrar foram Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça. Porém, a data específica, 8 de março, foi fixada em meio a guerra, em 1917, após uma outra greve realizada por mulheres russas que gritavam por “Pão e Paz” – pelo fim da fome. Quatro dias após as manifestações (8 de março), o Governo concedeu às mulheres um dos direitos que temos hoje: o direito ao voto.

O dia 8 de março foi oficializado em 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e até hoje celebra o engajamento feminino na política, âmbito profissional e vida pessoal. O Dia Internacional da Mulher é ideal para refletirmos a respeito de como a sociedade tem cumprido com seu papel na vida das mulheres.

Empoderamento contra a violência

Por causa das raízes históricas da data, quando se fala do Dia Internacional da Mulher, é inevitável falar da importância do empoderamento feminino e da luta contra a violência.

Os fatos apenas impulsionaram as decisões em favor das mulheres. Isso porque muito antes desses acontecimentos, mulheres corajosas e sem “papas na língua” lideraram movimentos importantíssimos.

Mas, atualmente, o empoderamento feminino ainda é fundamental para que as mulheres continuem lutando contra a violência de gênero (aquele que se sofre apenas porque uma mulher é uma mulher).

Durante a pandemia, por exemplo, o número de assassinatos de mulheres explodiu. Só no primeiro semestre de 2020, por exemplo, 648 mulheres foram mortas. Um dos fatores que impulsionaram o aumento foi a dificuldade das vítimas para denunciar a violência. Por isso, algumas iniciativas se popularizaram.

É o caso da campanha Sinal Vermelho, que orientava as mulheres a marcarem um “X” com batom vermelho na palma de uma mão. Mostrando o sinal a atendentes de farmácias, estes poderiam fazer contato com a polícia e prevenir novas violências. A campanha foi lançada em 2021 pelo Çonselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e agora é uma política nacional. Desde então, esta medida salvou muitas vidas.

Ao mesmo tempo, essa iniciativa mostra que empoderar é muito mais que uma palavra da moda. Fazer com que mulheres tenham consciência de sua força, seu poder e seus direitos como cidadãs é fundamental para que tenham coragem de pedir ajuda para saírem de situações de violência e de relacionamento abusivo.

E não pense que isso é muito difícil. Algumas atitudes que podem parecer simples são, na verdade, fundamentais para fortalecer as mulheres e encorajá-las. Contratar mulheres, por exemplo, é uma atitude fundamental. A dependência financeira é um dos fatores que faz com que as mulheres desistam de abandonar seus maridos – mesmo estando em um relacionamento abusivo. 

Dispor-se a ser uma rede de apoio, demonstrar sororidade e ter empatia são atitudes simples que valem muito. Por isso, não julgar quem está em um relacionamento abusivo – perguntando a razão pela qual ela não sai dessa situação – e falar do assunto do empoderamento e da violência de forma aberta, transparente e sem preconceitos é tão importante.

O assunto merece atenção de estudiosos. No trabalho “A importância do empoderamento feminino como estratégia de enfrentamento à violência doméstica”, as pesquisadoras Isabella Larice Avelino de Oliveira, Jaianne Fernanda de Araújo Cordeiro e Hilderline Câmara de Oliveira estudaram o impacto do empoderamento na vida das mulheres. “O empoderamento feminino é o passo mais desafiador e superar os obstáculos na vida de uma mulher pode melhorar sua qualidade para contornar sua vida e a sociedade”, escrevem.

O empoderamento, ao melhorar a qualidade de vida social, econômica, cultural e política, faz com que mulheres ocupem mais espaços na sociedade e, consequentemente, tenham sua voz amplificada. Ao perder o medo, elas conseguem com menos dificuldade sair do círculo de violência.

Por isso, tanto no Dia Internacional da Mulher quanto em todos os outros, o mundo deve discutir, combater e falar sobre a violência e desrespeito de gênero. Mulheres empoderadas podem se libertar de assédios, violências, injustiças e depreciações. Sem medo! E mais ainda, podem ajudar outras mulheres a encontrar caminhos mais gloriosos, rumo a uma vida mais justa e feliz. Eu me coloco à disposição de todas e digo que estamos juntas nesta caminhada. Vamos praticar a sororidade, seja por meio dos direitos civis, das experiências e/ou do amor à próxima.

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